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HOMENAGEM à DIOCESE DE MACAU |
“Homenagem à Diocese de Macau”
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“Daqui surgiram cerca de 600 dioceses e Macau marca e preserva a sua identidade
como ponto de chegada, de partida e de formação de missionários...”
D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga
A atribuição do Prémio Identidade à Diocese de Macau, por decisão unânime do respectivo júri, constituído pelo corpo universal dos titulares dos órgãos sociais do Instituto Internacional de Macau, traduziu o reconhecimento da contribuição determinante da Igreja para a construção de Macau e para a afirmação e perpetuação da sua identidade cultural, consolidada e enriquecida ao longo de séculos, ao mesmo tempo que se interpretou o sentimento generalizado e genuíno da comunidade macaense, de gratidão à Diocese pela exemplar acção evangelizadora e pela obra extraordinariamente relevante levada a cabo especialmente nas áreas da educação e do serviço social.
O Encontro de Bispos Lusófonos, que trouxe à RAEM vinte representantes das Conferências Episcopais de Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, na última semana de Setembro, tornou oportuna a entrega formal do prémio nessa ocasião, numa sessão memorável em que foi também recordada e enaltecida a vida e a obra do Pe. Joaquim Angélico Guerra, S.J., a propósito do centenário do seu nascimento. Na mesma cerimónia foi lançado um livro dedicado ao "príncipe da Igreja" que foi o Cardeal D. José da Costa Nunes, Cidadão Benemérito de Macau.
A atribuição do Prémio Identidade
O auditório do Instituto Internacional de Macau estava em festa quando, visivelmente emocionado, o Bispo de Macau, D. José Lai, recebeu o prémio, cabendo a D. Jorge Ferreira Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, lembrar o fecundo percurso da Diocese de Macau, ao serviço de Deus, dos valores perenes da Igreja Católica e das populações, e a Luís Sá Cunha, Secretário e Director Cultural do IIM, realçar o significado desta distinção, criada pelo IIM e anteriormente concedida a Monsenhor Manuel Teixeira, ao escritor Henrique de Senna Fernandes, ao Prof. Eng. Luís Maria Nolasco de Guimarães Lobato, ao Comendador Arnaldo de Oliveira Sales, à Universidade de Macau e à Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, pela meritória acção destas personalidades e instituições na defesa e valorização da identidade de Macau e da comunidade macaense.
“A Diocese de Macau como referência social e eclesial” foi o título da intervenção de D. Jorge
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Ortiga, merecendo destaque as alusões ao profundo e continuado trabalho da Igreja em Macau, cuja “história se torna incompreensível sem a sua presença e intervenção”, e aos caminhos percorridos até à actualidade, em áreas fundamentais como a acção social e a educação, cujos resultados e propósitos foram desta forma sintetizados:
“...a Diocese de Macau prossegue o seu caminho numa identidade característica que a demarca de outras realidades e se expressa em iniciativas com um cunho de valor incalculável. Não me refiro à importância da formação de consciências que a liturgia e a catequese desempenham. Olho, particularmente, para duas áreas que continuam a esboçar uma identidade peculiar na atenção aos valores locais mas acrescentando um pormenor distintivo e característico. A acção social promovida pela Diocese de Macau é uma referência geradora de solidariedade e manifestação duma verdadeira opção pelos pobres. São cinco séculos repletos dum amor vivido no relacionamento mútuo e no compromisso assumido por variadíssimas instituições. É um longo caminho com os mais necessitados onde não se fecha os olhos para não ver. O presente parece atenuar esta necessidade de solicitude. Só que a Igreja e a Diocese deverão, sempre, considerar constitutivos da sua identidade os problemas escondidos ou mal resolvidos. Ouso recordar as palavras do Papa Bento XVI: ‘É muito importante que a actividade caritativa da Igreja mantenha todo o seu esplendor e não se dissolva na organização assistencial comum, tornando-se uma simples variante da mesma... Todos os que trabalham nas instituições caritativas da Igreja devem distinguir-se por isto: não se limitam a executar habilidosamente a acção conveniente naquele momento, mas dedicam-se ao outro com as atenções sugeridas pelo coração, de modo que ele sinta a sua riqueza de humanidade. Por isso, para tais agentes, além da preparação profissional, requer-se também, e sobretudo, a formação do coração: é preciso levá-los àquele encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento, por assim dizer, imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé, que se torna operativa pelo amor’.”
“Outra dimensão onde a identidade da Diocese de Macau emerge e continuará a responder aos desafios, é o campo de educação. Vejo a educação como a capacidade de ‘aprender a ser’ homens e mulheres capazes de realizar um mundo mais equitativo e irmão. Cito Edgar Faure: ‘...a educação para formar este homem completo, cujo advento se torna mais necessário à medida que coacções sempre mais duras separam e atomizam cada ser, terá de ser global e permanente. Trata-se de não mais adquirir, de maneira exacta, conhecimentos definitivos, mas de se preparar para elaborar, ao longo de toda a vida, um saber em constante evolução e de aprender a ser’ (Edgar Faure, Aprender a Ser - Relatório da Comissão Internacional para o Desenvolvimento da Educação, UNESCO, Lisboa, 1977). Creio que a identidade da Diocese de Macau na actividade formativa está nesta educação integral onde o humano se torna alicerce duma abertura ao transcendente como verdadeira explicação da identidade humana. A Igreja, empenhando-se na educação, não pretende só transmitir conhecimentos. Importa que seja capaz de gerar o que anuncia por palavras. Isto pode parecer invisível aos olhos, mas é o trabalho da Igreja. Nem sempre se mede mas tem valor. Alguns reconhecem, outrosdesprezam e ridicularizam. A identidade está aqui nesta fidelidade que é fonte de esperança para um mundo novo.”
Um mundo novo e mais solidário foi, afinal, o próprio tema do encontro destes prelados nesta cidade que se assumiu como farol que irradiou a luz da cristandade por este vasto Oriente, tendo a atribuição do Prémio Identidade sido um momento particularmente significativo, pelo simbolismo que encerrou.
*(Excerto de um texto datado de 13 de Outubro de 2008, tirado da obra “Falar de Nós V”, de Jorge A.H. Rangel).
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Actualizado em ( 30-Jun-2009 )
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