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A primeira etapa do conjunto de iniciativas do Instituto Internacional de Macau (IIM) visando a comemoração do 10º aniversário da RAEM no exterior foi cumprida com reconhecido êxito, nos dias 26 a 28 de Maio, com a inauguração da exposição “A RAEM – uma história de sucesso”, que estará patente no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), em Lisboa, até 16 de Junho, e a realização do seminário “Macau, plataforma económica e cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, com a participação de numeroso público, entre professores, estudantes, dirigentes e técnicos de organismos culturais e associativos e personalidades ligadas a Macau, entre as quais os ex-Governadores Garcia Leandro e Vasco Rocha Vieira.
Foram oradores do seminário o Prof. Luís Filipe Barreto, director do CCCM e professor de História (“A condição de Macau, passado e presente”), o Prof. Ming Chan, da Universidade de Stanford e autor de vasta bibliografia sobre a China e as suas regiões administrativas especiais (“A decade after the long farewell: trans-Pacific perspectives on Macau’s transition to and transformation under Chinese rule”), o Prof. Sonny Lo, da Universidade de Waterloo, Canadá, e autor do livro “Political Change in Macao” (Routledge, 2008) e de outras obras recentes sobre Hong Kong, Macau e Taiwan (“Macau’s integration into South China – implications for Portugal”), o Dr. Rodolfo Faustino, coordenador do Centro de Promoção e Informação do Turismo de Macau, em Lisboa (“Turismo de Macau – as novas infra-estruturas”), a Prof.a Fernanda Ilhéu, docente do Instituto Superior de Economia e Gestão, coordenadora do China Logus – Business Knowledge & Relationship with China e ex-secretária-geral da Câmara de Comércio Luso-Chinesa (“Relações Portugal-China. Ho Ho Panguiao. E os negócios?”), e o autor deste artigo, na qualidade de presidente do Instituto Internacional de Macau e moderador deste seminário (“A primeira década da RAEM – um balanço”).
A exposição
Constituída por 60 grandes painéis graficamente
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bem elaborados e ilustrados com fotografias e desenhos e integrando pequenos textos alusivos, na sua maioria da autoria de Paulo Coutinho e Luís Sá Cunha, cobrindo uma variada gama de assuntos relacionados com o funcionamento da RAEM nesta sua primeira década de vida, a exposição ocupou os 2ºe 4º pisos do CCCM, devendo ser, em Julho, apresentada no norte de Portugal, no Fórum da Maia, no âmbito do protocolo de cooperação firmado entre o IIM e a Câmara Municipal de Maia, seguindo depois, em Agosto, para o Rio de Janeiro e, em Outubro, para São Paulo. Uma versão em língua inglesa será levada, em Outubro e Novembro, para os Estados Unidos da América e Canadá, podendo a exposição prosseguir a sua itinerância em 2010.
Aproveitou-se a oportunidade para o IIM fazer a apresentação duma pagela de selos de Macau comemorativa do seu 10º aniversário, com design, tal como o da exposição, do reputado artista macaense Victor Marreiros, em que o IIM é caracterizado como “organização não governamental, de matriz portuguesa, ao serviço da diferença e da identidade de Macau, do apoio à investigação, criatividade, inovação e modernização da RAEM, da relação activa com os países lusófonos, da ligação e intercâmbio com grandes instituições e organismos internacionais, da vitalidade da diáspora e da cultura macaenses e da projecção da imagem de Macau no mundo”.
A exposição abre com um pórtico com motivos tradicionais de Macau e com uma nota explicativa sobre o estabelecimento da RAEM, de acordo com o princípio “um país, dois sistemas”, seguindo-se referências sintéticas à sua estrutura política; às grandes transformações verificadas sobretudo de 2004 a 2007; ao extraordinário crescimento verificado no turismo, na hotelaria e na exploração dos jogos de fortuna ou azar; às novas receitas arrecadadas; à estratégia de consolidação de Macau como plataforma de serviços e intercâmbio com o exterior, com especial destaque para iniciativas como o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a Feira Internacional de Macau e o CEPA (Acordo para o Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais com o Interior da China); ao crescimento do PIB e ao elevado rendimento “per capita”; ao aumento da população activa; à classificação do Centro Histórico de Macau como património mundial, por ser “o produto único de mais de 400 anos de intercâmbio cultural entre o mundo ocidental e a civilização chinesa”, constituindo “o conjunto arquitectónico de raiz europeia mais antigo, mais completo e mais bem consolidado que ainda se mantém em solo chinês”; aos demais monumentos, conjuntos, sítios e edifícios, de arquitectura civil, militar e religiosa, que integram o património classificado, fazendo com que Macau seja“um museu ao ar livre”; à expansão de estruturas para acolhimento de grandes eventos, como convenções, congressos, exposições e espectáculos; aos eventos de dimensão internacional realizados; ao ritmo da construção que foi o maior a nível mundial; ao mundo laboral e ao afluxo de trabalhadores não-residentes; ao lugar cimeiro ocupado por Macau no “ranking” dos índices da esperança média de vida; ao alargamento da escolaridade gratuita para os 15 anos, representandoa comunidade estudantil cerca de 1/3 da população activa; ao calendário desportivo internacional de Macau e às modernas infra-estruturas desportivas criadas; ao despontar das indústrias criativas e à actividade cultural.
A menção dos sucessos da RAEM não impediu que, na exposição, se identificassem também algumas das consequências da “crise de crescimento” e os negativos impactos sociais e urbanos resultantes do “afluxo brusco de massas turísticas, de residentes e de mão-de-obra, do ritmo alucinante da construção civil, do disparo do PIB e dos salários, da multiplicação dos veículos, do aumento acelerado do custo de vida e da habitação”, causando manifestações de natureza cívica e reacções na comunicação social, no órgão legislativo e na rua, sendo salientado que “na intervenção reivindicativa, na defesa do património histórico e de causas cívicas, na participação em consultas e debates públicos, a comunidade residente revelou-se uma força social emergente, participativa e consciente do princípio ‘Macau governada pelas suas gentes’, sendo reforçado o 2º sistema”.
Mensagem do Chefe do Executivo
A exposição, que foi apoiada pela Fundação Macau e por vários Serviços Públicos da RAEM, encerra com uma breve mensagem do Chefe do Executivo, do seguinte teor:
“Apesar das dificuldades, conseguimos durante dez anos, com empenho e persistência, consolidar gradualmente a nossa singular e renovada identidade, ao mesmo tempo que acumulámos experiência e explorámos novas oportunidades, criando assim um novo modelo de desenvolvimento para Macau.
Em retrospectiva, é pacífico que foi continuamente implementada a orientação ‘Macau governada pelas suas gentes’, ao abrigo do princípio ‘um país, dois sistemas’.
A história será testemunha do continuado desenvolvimento da RAEM. Apesar dos desafios que se anunciam, persistiremos nos nossos valores essenciais: fazer respeitar o primado da lei, promover a coesão social e assegurar aos residentes uma vida harmoniosa e estável.
Estou certo de que Macau e todos os que aqui vivem saberão enfrentar o futuro sem falhar, contribuindo assim para incrementar o legado destes dez anos.”
No ano em que a população de Macau assistirá à passagem do testemunho no cargo cimeiro da Administração e participará nas eleições para uma nova legislatura da Assembleia Legislativa, podemos todos partilhar com o Chefe do Executivo as expectativas expressas. É que, com as insuficiências e os erros cometidos, que o poder político reconheceu publicamente, a RAEM é mesmo uma história de sucesso. Não deverão ser, todavia, ignorados os desafios e as dificuldades, que serão imensos, no dealbar da 2ª década, exigindo lucidez, determinação e sentido de missão aos governantes, não sendo menos importante a sua capacidade de envolver a população e as instituições da sociedade civil na construção do futuro da RAEM.
Será feita, oportunamente, neste espaço, uma apreciação do significado do seminário realizado em Lisboa, nos dias 27 e 28 de Maio, e de outras actividades em curso relacionadas com Macau, na capital portuguesa. Está, entretanto, em fase final de preparação, no IIM, uma outra exposição, basicamente fotográfica e intitulada “Macau é um espectáculo”, para apresentação em várias cidades do exterior em co-organização com as Casas de Macau.
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